Criado em 1998 pelo saudoso Ministro Paulo Renato, o Exame Nacional do Ensino Médio é hoje a forma mais democrática de acesso ao ensino superior no Brasil. É válida, e quando isso ocorre temos que ressaltar, a iniciativa do Governo Federal de, com o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), unificar o acesso às Instituições Federais de ensino, no qual estão incluídas as Universidades, Faculdades e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, além de algumas Universidades Estaduais que aderiram ao sistema.

A seleção para tais faculdades ocorre com a nota do ENEM. Que, desde 2009, sofre sérias críticas pela adoção da Teoria de Resposta ao Item (TRI), uma modelagem estatística que usa uma média entre todos os alunos concluintes do ensino médio como base, para o posterior cálculo dos desvios-padrão. E aqui aponto minha primeira crítica: a TRI não funciona quando temos, como no ENEM, um dos componentes do cálculo da nota sendo absoluto (no caso do ENEM, é a redação, única prova aonde o candidato pode atingir 1000 pontos).

O segundo ponto falho do Ministério da Educação e do INEP (autarquia do Governo Federal responsável pelo ENEM e por outras provas de avaliação e monitoramento da educação brasileira) é a falta de transparência no processo avaliativo. Diversos candidatos, no país inteiro, estão entrando com ações na Justiça para conseguir que suas redações sejam recorrigidas, por considerarem injustas as notas atribuídas. Posso apresentar aqui diversos exemplos de amigos que foram injustiçados com suas notas de redações.

Além disso, não podemos esquecer dos constantes ‘vazamentos’ de provas, que ocorrem ano após ano e prejudicam os, em 2011, mais de 6 milhões de inscritos no ENEM  que, além do SiSU, citado anteriormente, também podem concorrer a uma vaga no ProUni.

Concordo com o professor Miguel Nicolelis quando ele diz que  ”só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem.” E concordo plenamente. O debate nunca, em momento algum, deve ser pelo fim do ENEM. Deve ser pelo fim da TRI como método avaliativo, que vem tornado o ENEM, ano após ano, uma exame cada vez menos credibilidade diante da opinião pública. Se as coisas continuarem assim, perderemos o ENEM, e regrediremos em mais uma conquista.